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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Culto, uma oportunidade de comunhão!!

Por Pr. Almir Marcolino
No blog Meditações de um Peregrino.


No Salmo 122 o peregrino celebra a oportunidade de cultuar a Deus em Jerusalém, o centro do culto do crente na Antiga Aliança. Sua alegria começou no momento em que foi convidado para ir à Casa do Senhor, o templo que estava em Sião. Aquela alegria que inicialmente o atraiu é lembrada agora, depois que chegou, e faz com que ele esqueça os perigos, desconfortos e cansaço da viagem. Estava diante da recompensa, e dizia: valeu a pena!


Isto porque seus pés estavam agora firmes dentro dos muros da cidade que Deus havia escolhido como símbolo da Sua morada. O valor da cidade estava naquilo que ela significava, na função que Deus LHE designara. É isso que o peregrino canta na segunda parte do salmo.


A cidade foi edificada para ser um centro de comunhão. Esta idéia aparece no verso três, e tem sido traduzida como “compacta” ou “bem sólida”. Na língua original dois termos são usados. Um expressa a idéia de “ajuntado”, “reunido”, “em comunhão”, o outro de “estar unido”. A versão grega traduziu com um termo que indica sociedade, companheirismo, participação compartilhada. Jerusalém foi construída para ser um local de unidade e comunhão do povo de Deus, era o centro onde a comunidade se reunia e manifestava sua unidade. Esta união não quer dizer uniformidade, pois eram doze tribos que subiam. Havia uma diversidade. Cada tribo era uma tribo distinta. O que as unia era o fato de serem do SENHOR (verso 4).


[Imagem: Changeman. Eles são toscos, têm uma indumentária de malha cafona, não foram paquitas e quase ninguém mais sabe quem são, mas eles têm uma lição a ser seguida pela igreja: apesar de viverem lutando, não lutam entre si e sempre vencem no final. E apanham muito sozinhos mas sabem que unidos são mais fortes (porque a bazuca só aparece se eles juntarem as armas, e o robô gigante só aparece se eles juntarem os veículos). O protestantismo parece ser exatamente o oposto mas não é - apesar de ter alguns toscos que juram que são os donos da "bazuca", do "robô gigante" e que vão vencer sozinhos... Mas eu já li o "script" todo e sei que o final não vai ser assim.* ]


Um dia Deus vai restaurar a Jerusalém terrestre como local de adoração e comunhão de Seu povo (Is 2.3). Mas, hoje nossa comunhão se manifesta na Igreja, o templo que Deus está construindo na atual dispensação (Ef 2.19-22; 4.16). É na reunião com outros irmãos que celebramos a nova aliança (1 Co 11.25,33), que cultuamos nosso Deus com alegria (Ef 5.19; Cl 3.16).


Este culto deve ser momento de comunhão, não apenas com Deus, mas também uns com os outros. Na Igreja, pessoas diferentes foram unidas num corpo (1 Co 12.13). Apesar das diferenças elas têm muito em comum (Ef 4.4-6). Só que esta unidade demanda esforço, ela não ocorre automaticamente (Ef 4.3). A alegria é completada através da unidade (Fp 2.1-4).


A igreja primitiva manifestava esta unidade. Perseveravam juntos, conheciam as necessidades uns dos outros, ajudavam-se mutuamente, compartilhavam refeições, e participavam de momentos alegres em união (At 2.42, 44,46).


Em muitas igrejas isto não ocorre. As pessoas chegam para o culto já em cima da hora, ou até atrasados, participam dos cânticos, escutam a mensagem, doam suas ofertas, e saem correndo para casa, para suas atividades individuais. Não há interesse em conhecer os outros adoradores, desejo de saber de suas alegrias e tristezas, de compartilhar de suas necessidades, de se prontificar para ajudar os que precisam.


Algumas vezes a idéia demonstrada é mais de pessoas que vão a um mesmo cinema assistir o mesmo filme, no mesmo horário, do que de adoradores que vão manter comunhão com Deus e uns com os outros. Não podemos falar de nossas igrejas como um grupo compacto, sólido e unido.


Da mesma maneira que Israel testemunha ter um só Deus através da adoração num só lugar, nós testemunhamos que Deus enviou Jesus através da unidade (Jo 17.21), testificamos que somos seguidores de Jesus através do amor uns para com os outros (Jo 13.35), manifestamos que passamos da morte para a vida ao amar os irmãos (1 Jo 3.14).


Note quantos mandamentos no Novo Testamento são acompanhados da expressão uns aos outros, e conclua que o cristianismo é coletivo, comunitário, e não uma espiritualidade individualista. Quando for ao culto procure adorar também através da comunhão. Assim, o ir a casa do SENHOR será motivo de alegria para você e para Deus. Pois, Hebreus 13.16 diz Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação (comunhão) ; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz.

* Legenda da foto por Avelar Jr.

domingo, 11 de outubro de 2009

Inversões!!!!!


Era para ser igreja, mas virou empresa
Era para ser pastor, mas virou lobo
Era para ser luz, mas amou a escuridão
Era para ser Jesus, mas preferiu Barrabás
Era para ser pela Bíblia, mas enveredou pelo que dizem os homens
Era para ser sinal, mas já virou o fim em si mesmo
Era para ser testemunho, virou vergonha
Era para ser milagre, agora é rotina
Era para ser vibrante, ficou maçante
Era para ser sagrado, prostituiu-se
Era para ser caminho de cruz, agora é passarela de astros
Era para ser... não é

Não é mais o lugar da simplicidade, agora tudo é escandaloso
Nâo é mais a sagrada comunhão dos fraternos, é o cansativo clube dos iguais
Não é mais o espaço da alegria, está vigiada pela suspeita da inveja
Não é mais pela força da unidade, é pelo tamanho numérico
Não é mais pela força do abraço, mas pela violência do braço
Não é mais a beleza de um judeu errante da Galileia, é a divindade disfarçada de pastor
Não é mais pela fé, é pela vitória financeira
Não é mais... não somos mais... deixamos de ser...

In-verso, a rima perdida na dor do não-ser

sábado, 19 de setembro de 2009

Deus não é babá!


Deus não é crente! Isso é uma descoberta que muitos irmãos precisam fazer ao longo da jornada para tornarem-se mais conscientes de que o Eterno está acima do que chamamos de religião. Essa mania de achar que Deus é Deus de crentes, e que só ouve crente tem me incomodado muito por esses dias.

Se Ele tivesse religião, seria partidário, mas a bíblia diz que não, que Deus não faz acepção de pessoas, portanto sua escolha é absolutamente isenta de parcialidade. Ele não está sujeito a opiniões, Ele é o formador de opinião mor!

A história de que Ele é sempre influenciável, nos leva a tal devaneio que chegamos a conceber que fará tudo por nós, todos os mimos, todas as vontades, e se não o fizer não será mais digno de nossa consideração como filhos. Ledo engano...

Ele é Senhor, dono do ouro e da prata, criador dos céus e da terra, força criadora de todas as coisas, arquiteto e estruturador dos pilares do universo. Como um ser dessa magnitude pode ser comparado a uma babá? Sonhamos e queremos a todo custo que Deus seja nossa babá, que ele seja o dono do orfanato, que conserva as mamadeiras cheias de leite, as luzes acesas até que venhamos a dormir, a água quentinha pro banho matinal e etc...

Queridos, não servimos a essa babá, mas a um Deus que gosta de ser reconhecido com o “Aba”, Aquele que é Pai e como bom Pai corrige o filho. É Ele que manda, nós apenas obedecemos, somos filhos por adoção, isto é, porque ele resolveu nos adotar pela sua infinita misericórdia, caso contrário, estaríamos fadados ao mais profundo inferno, mergulhados na mais bizarra dimensão de trevas e afogados num mar de lama.

Conscientize-se meu amigo: Ele não é babá, não está forçado a nada, Ele é o Aba Pai, glorioso, vencedor e provedor, que corrige a aqueles a quem ama. Louvado seja o Senhor!

E no mais... tudo na mais santa paz!

Por Márcio de Souza

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pobres ateus!!!

Disseram-me que o ateísmo está crescendo.

Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?

Não eu!

Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...

Quero um mundo onde a gente não esteja só.

Um mundo com anjos de pé e caídos.

De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios...

Quero o mundo onde os tambores invoquem.

Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.

Quero o mundo que produziu Beethoven que, surdo, dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.

Que produziu Shakespeare, que disse que havia mais entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, e que valia morrer por amor.

Que desafiou Mozart a zombar de Deus enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!

Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!

A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.

Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos...

Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.

Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.

Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.

Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu e, se leu, podia ser lido.

Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que, um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!

Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.

Quem quer o socialismo frio do ateus?

Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!

Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação.

Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve.

Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.

Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.

Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?

Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.

Não! Mil vezes não!

Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.

Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?

Quero um mundo onde a fé , o amor e a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!

Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!

Mas não quero a teologia técnica...

Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua Glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!

Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.

Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.

Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.

O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!

Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.

Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.

Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.

Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!


Ariovaldo Ramos

Teologia: diversão e aprendizado



Quero iniciar com uma afirmação nada original: a vida é um eterno aprendizado. Infelizes são aqueles que no meio do caminho perdem a capacidade de, parafraseando o saudoso Gonzaguinha, "cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz". Logo, se a teologia versa sobre a vida, ela é, de igual modo, um conhecimento em mutação, uma ciência modesta e disciplinada de eternos aprendizes que não se entregam facilmente ao sabor das respostas prontas, nem de palavras decoradas, tampouco se deixam orientar pelo que dizem as estatísticas, e muito menos se conformam com um "ministério de banalidades", que não problematiza, não pensa, não sente, não se inconforma ou se indigna, e por isso torna-se ineficaz e incapaz de proferir palavras ou realizar ações de cunho profético.


Não! A teologia é a matéria-prima dos inconformados! Dos que não aceitam pacotes, nem tampouco produzem pacotes. E por essa vocação, creio que quando temos uma teologia presa e gerida apenas pelos dogmas e doutrinas não temos teologia, temos arbitrariedade. Arbitrariedade acerca do que é, de verdades imutáveis, indeléveis, de absolutos que nada têm a ver com Deus e que muitas vezes negam o valor da vida que Deus tanto preza, e também do que jamais pode ser, dentro do que estão incluídas a subversão, a heresia e a transgressão, assim categorizadas, muitas vezes, pelo simples fato de questionarem a ordem estabelecida. Teólogos, na melhor acepção da palavra, não se rendem a tais categorizações, tantas vezes simplistas e unilaterais.Por não se render a arbitrariedades e por não negligenciar o seu papel, que é falar de Deus, ela não julgará esse papel (falar de Deus) como um papel estritamente dela (como se pelo simples manuseio de métodos científicos ela pudesse chegar a ele), mas de todo ser humano.

Nesse sentido, todo ser humano pode ser um teólogo, à medida que pensa, pulsa, sente e crê em Deus agindo na criação e na existência. Dessa forma, eu melhoraria um pouco a afirmação de que "teologia nada mais é do que o estudo de Deus". Isso, pois Deus, como um ser eterno, não pode ser estudado. "O Deus do evangelho", diria Karl Barth, "não é, portanto, nem coisa, objeto, nem idéia, princípio, verdade ou soma de verdades, nem expoente pessoal de tal soma" (Introdução à teologia evangélica, p. 12).

Podemos, sim, falar de nossa experiência de Deus, isto é, de Deus como um ser pessoal e relacional. E, exatamente por desejar o relacionamento, escolheu se revelar. Assim, diriam alguns teólogos, teologia é o estudo de Deus em sua revelação. Revelação que desce, palavra que se diviniza, divino que se verbaliza, e verbo que se humaniza. Deus se fez ser humano! Essa é uma das grandes afirmações de fé das quais a teologia deve se valer. E esse Deus, assim, age na história, como temos estudado até aqui. De tal modo que o "objeto" da teologia, por assim dizer, está em movimento, e ela também precisa estar. O assunto da teologia evangélica, citando outra vez Barth, é Deus – Deus na história de suas ações. Não por aquilo que somos, façamos ou nossas capacidades, mas por aquilo que ele é e nos concedeu. Assim, a teologia é uma resposta inteligente e reverente ao gracioso “sim” de Deus, isto é, à sua “auto-revelação benigna e amiga para com o ser humano” (Introdução à teologia evangélica, p. 13).

Sim, é uma tarefa sem fim, permanente, renovável, criativa e que só germina em liberdade, na liberdade do Espírito. Logo, toda teologia autêntica é uma teologia espiritual, parafraseando Gustavo Gutierrez. Já disse antes, mas não custa reiterar: para mim, o lugar vivencial por excelência da teologia é a vida, assim como orar é viver e como Deus é sinônimo de Vida e Liberdade plenas. Só se pode conhecer a Deus à medida que se celebra intensamente o viver, o viver junto com outros, imersos na realidade. A teologia que se vale da experiência de Jesus (o Deus Encarnado) está totalmente ancorada em, e em permanente relação com, a realidade que nos cerca, tantas vezes dura e cruel. Segundo Eugene Peterson, “Deus não se revela à realidade para que a contemplemos como meros espectadores, mas para que possamos nela ingressar e viver”.

Continuemos debatendo e fazendo teologia com diversão e aprendizado...

Jonathan Meneses
Professor ISBL - Londrina

O fundamentalista é um fanático… e seu fanatismo o torna uma contradição ambulante, em que ele nega, por suas ações, a fé que afirma professar. Isto não significa que o fundamentalista seja um amigo dos paradoxos. Muito pelo contrario, ele os teme, já que, diferentemente do que a maioria dos fundamentalistas imagina, é na razão (no racionalismo filosófico e na razão instrumental pragmática) e não na fé, que o fundamentalista encontra apoio teórico para suas ações.


O fundamentalista é antes de tudo um inquisidor. Ele persegue e destrói para proteger e salvar, e está disposto a ir às últimas conseqüências para isso. Como qualquer inquisidor, o fundamentalista vê a liberdade de pensamento e de expressão como uma ameaça. Ele entende todo questionamento e toda crítica como formas dissimuladas de ataque, o que evidencia sua neurose paranóide.


O fundamentalista tende a conviver somente com os outros fundamentalistas e, por isso mesmo, acaba isolando-se cada vez mais, o que cria um circulo vicioso de obscurantismo, guetoísmo e uniformidade. Para o fundamentalista, o demônio é o “outro”, isto é, o demônio é identificado com toda forma ostensiva de alteridade. Em vez de dialogar com o outro, ele o hostiliza. Em vez de ver no outro um espelho através do qual ele poderia contemplar suas próprias fraquezas para seu próprio bem, o fundamentalista vê no outro (e na alteridade) uma ameaça.


O fundamentalista religioso se vê, em geral, como dono da verdade, detentor de uma revelação que os outros não possuem ou não compreendem. Ele não enxerga suas próprias limitações, sua humanidade, e se vê, portanto, como mais que humano, ou pelo menos como um ser humano mais privilegiado, selecionado por Deus para um conhecimento secreto ou para uma missão sagrada especial. O fundamentalista não percebe que sua alegada verdade é apenas uma possibilidade entre as outras, e que a única forma de avaliá-la e comprová-la seria estabelecer um diálogo com seus semelhantes que pensam diferentemente, para que, no jogo das interpretações, as incoerências se manifestassem e todos crescessem com isso.


(...) O fundamentalismo é um veneno terrível para o cristão e para as igrejas cristãs. Ele tende a matar lenta e imperceptivelmente, porém também inevitavelmente, a fé dos indivíduos das comunidades. O fundamentalismo é um veneno tão ruim ou até pior que o liberalismo teológico que tanto teme e combate. Ao combater o liberalismo teológico, os fundamentalistas acabam por rotular como liberalismo todas as idéias e noções que sejam um pouco diferentes das suas próprias, e acabam por declarar “liberais” todos os que os questionam ou que problematizam as questões que eles querem fazer crer serem absolutamente cristalinas.


(...) Os pastores fundamentalistas entram facilmente em crise ministerial, ou então se tornam pastores corruptos e politiqueiros, ou ainda aderem a uma piedade pervertida em que se vêem como responsáveis por manter as igrejas protegidas das chamadas heresias. Em nome dessa causa, seus sermões tornam-se teológicos, e a palavra de conforto e orientação que deveria vir do púlpito se torna cada vez mais escassa e a congregação fica sofrendo de inanição espiritual o que acaba gerando um círculo vicioso de maus pastoreios e falta de nutrição espiritual gerando igrejas fracas e que já não mais são capazes de reconhecer o mau pastoreio e a má nutrição, e não são capazes de expurgar de si esses males.


Ricardo Quadros Gouvêa


(Trechos de: GOUVÊA, Ricardo Q. A piedade pervertida. Um manifesto anti-fundamentalista. Em nome de uma teologia de transformação. São Paulo: Grapho Editores, 2006, p. 34-36).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Opnião!!!


Cristão e a política

Devemos orar.
Devemos orar pelos nossos governantes.
Devermos orar para que Deus nos dê discernimento para escolher os nossos candidatos. Orar para que tenhamos homens e mulheres no governo das nossas cidades, estados, do nosso país. Afinal de contas, feliz a nação cujo o Deus é o Senhor.

Creio que a nação mais poderosa dos nossos dias foi consolidada por esse princípio. Homens como Abrahan Lincon, George Washington e Martin Luther King Jr. ajudaram a construir os Estados Unidos da América. Nação mais próspera, poderosa e influente no mundo. Isso porque, homens cheios do Espírito Santo governaram e influenciaram as nações por gerações, compondo a constituição com a Bíblia aberta, fizeram dos Estados Unidos a maior nação do mundo.

Infelizmente, tem sofrido por seu desvio. Nos últimos cinqüenta anos, a nação tem se enveredado por caminhos totalmente diferentes e opostos aos princípios pré estabelecidos, e por isso tem sofrido as conseqüências.

Um dia ofereceram a candidatura a presidência dos EUA para o Billy Grahan e ele disse: “Não! Pois não queria se rebaixar do cargo de embaixador de Cristo para presidente dos EUA, mesmo sendo a nação mais poderosa do mundo.”

Acredito nisso: Que uma cidade, um estado, um país, deve ser governado por homens e mulheres cristãs, cheios do Espírito Santo de Deus. Mas discordo acirradamente em líderes religiosos quererem almejar esses cargos.

Outro dia vi um pastor recomendando um missionário para o cargo de vereador na cidade de São Paulo. Vi também padres e pastores se candidatando para cargos de vereador.

A minha pergunta é: Para o que Deus chamou essas pessoas? Se Deus os chamou para pastorear a igreja de Cristo, conduzir a sua igreja, pregar o evangelho em vários lugares, porque se aventuram a entrar num cargo, com uma responsabilidade que nada tem a ver com o chamado sacerdotal de Cristo?
Historicamente, o período em que a igreja mais se corrompeu, foi o período em que os sacerdotes fizeram e cederam a alianças políticas.

Não vejo nada de saudável, espiritualmente falando em um pastor, um líder de uma igreja se aventurar a negar o seu chamado vocacional. Mais parece com alguém, de uma certa influência em virtude do seu cargo religioso, aproveitar-se disso para conseguir votos.

Termino aqui convocando aos cristãos a orarem não somente pelos nossos líderes políticos e incentivar cristãos cheios do Espírito Santo de Deus a ocuparem cargos políticos, como também para orar por nossos lideres religiosos, que não abandonem o chamado de Cristo de pastorear a Sua igreja e levar o evangelho a todas as criaturas para candidatar-se a algum cargo político.

Edner Freitas.